Farmácias e postos de combustíveis se multiplicam em cidades médias e levantam questionamentos
O crescimento acelerado de farmácias de rede e postos de combustíveis em cidades de médio porte vem chamando atenção em todo o país. Em algumas avenidas, é possível encontrar quatro farmácias em um trecho de apenas 200 metros — muitas vezes com pouco movimento — e postos de combustíveis surgindo um ao lado do outro.
Especialistas apontam que parte desse fenômeno pode ser explicada por estratégias de mercado. No setor farmacêutico, redes adotam o que chamam de “canibalização planejada”: abrir várias unidades próximas para sufocar a concorrência e aumentar a presença da marca. Mesmo com movimento baixo em algumas lojas, o volume de vendas no conjunto da rede e a negociação direta com fornecedores garantem margem de lucro, especialmente na venda de produtos de higiene, beleza e conveniência.
No caso dos postos de combustíveis, o lucro nem sempre vem apenas da bomba. Lojas de conveniência, serviços automotivos e acordos com distribuidoras ajudam a sustentar o negócio. Em alguns casos, a abertura de unidades também tem objetivo de ocupar pontos estratégicos e fortalecer a marca na região.
Mas há uma questão sensível: tanto farmácias quanto postos lidam com grande volume de vendas em dinheiro e dificuldade de rastrear cada transação. Por isso, estão entre os setores frequentemente monitorados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras e pela Receita Federal. Já houve operações da Polícia Federal que identificaram uso desses ramos para lavagem de dinheiro proveniente de crimes como tráfico e corrupção.
O fato é que, enquanto especialistas debatem estratégias legítimas e autoridades reforçam a fiscalização, o cenário continua chamando atenção de consumidores e comerciantes locais.