Indefinição de ACM Neto agita bastidores da política baiana
A política baiana volta a girar em torno de um velho conhecido: a indefinição de ACM Neto. Ex-prefeito de Salvador e principal nome da oposição ao PT no estado, Neto vê crescer os rumores de que poderia desistir da disputa pelo governo em 2026. A simples hipótese já provoca frenesi. Adversários comemoram por antecipação; aliados, porém, preferem a cautela – e a cobrança.
O entorno do ex-prefeito reconhece o incômodo. Neto resiste à pressa de correligionários que, ansiosos, tentam selar compromissos e montar chapas legislativas com dois anos de antecedência. A tensão se soma à investida do governador Jerônimo Rodrigues, que desde 2023 trabalha para atrair grupos políticos que, em 2022, marcharam com o União Brasil. Pré-candidatos a deputado, de olho em apoios futuros, aumentam a pressão e alimentam a sensação de que a corrida eleitoral já começou.
O desgaste interno é evidente. Há quem lamente o “sumiço” do pré-candidato e exija sinais públicos mais firmes. Neto, no entanto, parece consciente de que ceder à impaciência pode significar perder o controle da própria candidatura. Como lembra um articulador, “as condições para disputar têm que vir do próprio ACM Neto”.
A lembrança de 2018 paira como um fantasma. Naquele ano, ele desistiu de enfrentar Rui Costa e indicou José Ronaldo, com resultados frustrantes para a oposição. Uma repetição do enredo seria lida como um recuo irreparável. “Seria a morte política dele”, avalia um aliado.
Ainda é cedo para apostar em um desfecho. Mas é inegável que a hesitação cobra seu preço: abre espaço para fissuras no grupo, enfraquece a articulação e dá tempo ao governo petista para ampliar alianças. Se quiser manter sua musculatura como principal contraponto ao PT baiano, ACM Neto precisará, em algum momento, trocar o cálculo pela decisão. O relógio político, por mais que ele relute, já está correndo.