Casos de HIV em idosos disparam 441% e acendem alerta na saúde brasileira
O aumento expressivo de casos de HIV entre idosos acendeu um alerta entre profissionais da saúde. Em uma década, o número de diagnósticos em pessoas com mais de 60 anos cresceu 441% no Brasil. Segundo a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, dois fatores são decisivos nesse avanço: o preconceito em acreditar que idosos não têm vida sexual ativa e a falta de campanhas voltadas para esse público.
Entre 2011 e 2021, foram 12.600 diagnósticos de HIV, mais de 24 mil casos de Aids e 14 mil mortes na população idosa. A geriatra Alessandra Tieppo explica que esse crescimento é multifatorial — reflexo do próprio envelhecimento do país, da manutenção da vida sexual na terceira idade e do diagnóstico tardio, que ainda é muito comum.
A médica destaca que o tabu em torno da sexualidade do idoso leva à ausência de triagem durante consultas e internações. E alerta: ignorar esse risco impede o diagnóstico precoce e agrava a evolução da doença.
O tratamento, segundo ela, é o mesmo usado em adultos mais jovens, mas pode ser mais complexo por causa das comorbidades. A terapia antirretroviral, oferecida pelo SUS, reduz a carga viral e impede a evolução para Aids.
Em meio ao Dezembro Vermelho, a SBGG reforça a necessidade de ampliar ações educativas e incentivar a testagem também na terceira idade — passo essencial para reduzir novos casos e combater o preconceito que ainda invisibiliza esse público.