Coronel nega crise com Otto, mas expõe rachaduras na base de Jerônimo
Quando um político diz que “está tudo bem”, Brasília e Salvador já aprenderam: é porque claramente não está tão bem assim. Foi nesse clima que o senador Ângelo Coronel resolveu quebrar o silêncio sobre a relação com Otto Alencar e seu espaço na futura chapa do governador Jerônimo Rodrigues. E quanto mais ele negou crise, mais o termômetro político subiu.
Coronel afirmou que a relação com Otto é “excelente” e que há gente tentando plantar discórdia. Pode até ser. Mas na política, quando a explicação vem longa demais, é sinal de que a pergunta incomodou. E incomodou porque o PSD vive aquele dilema clássico: quer continuar no governo, mas também quer espaço — e espaço de destaque, de preferência com sobrenome “majoritária”.
O problema é que a base governista não é elástica. O PT já faz contas, acomodações e malabarismos internos para fechar sua própria equação de 2026. Sobra pouco espaço para aliados com ambições de protagonismo. A matemática política é simples: quanto mais gente quer sentar na frente, mais apertado fica o banco de trás.
Nos bastidores, a leitura é de que Coronel fala para dois públicos ao mesmo tempo. Para fora, garante lealdade. Para dentro, marca território. Traduzindo do “politiquês”: ele não quer romper, mas também não quer ser figurante.
E assim segue o roteiro conhecido da política baiana pré-eleitoral: líderes sorrindo nas fotos, assessores apagando incêndios nos bastidores e declarações públicas cheias de harmonia que, curiosamente, só aparecem quando a harmonia começa a faltar.
Se está tudo tão alinhado quanto dizem, o tempo vai confirmar. Se não estiver, essa entrevista já entra para a coleção de frases que envelhecem mal em ano eleitoral.