Exclusivo: Polícia Civil vai investigar se motorista assumiu risco ao enfrentar enxurrada que levou ao desaparecimento de Rosania Silva
Em meio à comoção provocada pelo desaparecimento de Rosania Silva, arrastada por uma enxurrada durante uma corrida por aplicativo em Vitória da Conquista, uma pergunta começa a ganhar força: houve imprudência do motorista ao enfrentar a água?
A resposta ainda depende da investigação que será conduzida pela Polícia Civil da Bahia. O inquérito deve ser instaurado nesta quinta-feira, e o motorista que conduzia o veículo deverá prestar depoimento.

Pelo que prevê a legislação brasileira, quem realiza transporte de passageiros assume um dever de segurança durante toda a viagem. Isso vale para taxistas e também para motoristas de aplicativo, como os que atuam pela plataforma Uber.
Na prática, a polícia vai tentar esclarecer um ponto central: o motorista entrou na enxurrada mesmo diante de um risco evidente ou foi surpreendido pela força repentina da água?
Essa diferença é fundamental.
Se a investigação concluir que o condutor percebeu o perigo e, ainda assim, decidiu avançar, o caso pode ser interpretado como imprudência na direção, com possível enquadramento em homicídio culposo no trânsito — quando não há intenção de matar, mas a morte ocorre por negligência ou imprudência.

Outro elemento que pesa na análise é o fato de se tratar de transporte remunerado. Motoristas profissionais são avaliados com um grau maior de responsabilidade, justamente porque transportam passageiros e devem adotar decisões mais cautelosas em situações de risco.
Além do depoimento do motorista, os investigadores também devem analisar dados da corrida registrados no aplicativo, como trajeto, horário e ponto exato onde o veículo foi atingido pela enxurrada.
Essas informações funcionam como uma espécie de “caixa-preta digital” da viagem e podem ajudar a reconstruir os últimos momentos antes do desaparecimento de Rosania.

Mas a investigação não deve se limitar apenas à conduta do motorista. Especialistas apontam que, em tragédias envolvendo enxurradas, também é possível analisar as condições da via e da drenagem urbana, para saber se o local já apresentava histórico de alagamentos ou riscos semelhantes.
Enquanto as buscas continuam e a cidade acompanha o caso com apreensão, o inquérito policial deverá responder a uma pergunta decisiva: foi uma fatalidade causada pela força da chuva ou uma decisão arriscada ao volante?
Uma resposta que pode definir responsabilidades e trazer esclarecimentos para um dos episódios mais dramáticos registrados nos últimos dias em Vitória da Conquista.