FGTS na mira das dívidas: governo avalia liberar até 20% do saldo para trabalhadores endividados
O governo federal estuda uma nova ofensiva contra o endividamento das famílias brasileiras — e, desta vez, mirando diretamente o bolso do trabalhador.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que está em análise a liberação de até 20% do saldo do FGTS para pagamento de dívidas. A medida deve atingir principalmente quem ganha até cinco salários mínimos, faixa que concentra a maior parte dos brasileiros.
A proposta integra um pacote mais amplo de renegociação, que prevê descontos expressivos — podendo chegar a 90% — e juros mais baixos, com garantia do governo para estimular os bancos a aderirem.
Na prática, o saque não será irrestrito: a ideia é que o dinheiro do FGTS só possa ser usado para quitar dívidas, dentro de regras específicas, evitando novo ciclo de inadimplência.
A expectativa da equipe econômica é liberar cerca de R$ 7 bilhões e alcançar milhões de brasileiros sufocados por contas atrasadas.
Mas há um ponto sensível: o FGTS também financia o setor imobiliário. E qualquer retirada em massa levanta dúvidas sobre o impacto no crédito habitacional.
Entre o alívio imediato e o risco estrutural, o governo tenta equilibrar uma equação delicada — dar fôlego ao trabalhador sem comprometer o futuro do fundo.