Conquista na rota do abandono: menos voos, mais isolamento
Vitória da Conquista agora entrou de vez na elite da aviação brasileira. Não pela quantidade de voos… mas pela exclusividade.
A nova fase da operação da Azul Linhas Aéreas Brasileiras transforma uma cidade de quase 400 mil habitantes em um destino… quase privativo. Sai o avião de 70 lugares, entra o de 9. Um upgrade — só que ao contrário.
Segundo denúncia do vereador Edivaldo Júnior, a redução de assentos pode significar menos voos, passagens mais caras e dificuldade de acesso à capital Salvador. Mas calma: isso não é isolamento. É “experiência premium”. Afinal, nada mais exclusivo do que disputar um dos nove lugares disponíveis para sair da cidade.
O detalhe é que tudo isso acontece em um aeroporto moderno, construído justamente para ampliar a conectividade regional — uma espécie de shopping center aéreo… sem voos.
No fundo, a lógica é conhecida na aviação regional brasileira: reduzir oferta, concentrar demanda e deixar o interior na fila de espera do desenvolvimento.
No fim das contas, a Azul Linhas Aéreas Brasileiras parece ter encontrado uma fórmula peculiar para a aviação regional: quanto maior a necessidade de conexão, menor a oferta. Em vez de integrar, encolhe; em vez de estimular o desenvolvimento, restringe. Trata uma cidade estratégica como Conquista como se fosse um destino secundário — e ignora o impacto direto disso na economia, na mobilidade e na vida de milhares de pessoas.
Se a lógica prevalecer, o recado é claro: o interior que se vire. Porque, para a companhia, voar deixou de ser serviço essencial e virou cálculo frio de rentabilidade — ainda que isso custe o isolamento de toda uma região.