Crise na aviação regional leva governo da Bahia a negociar retomada de voos em Vitória da Conquista
A redução dos voos entre Vitória da Conquista e Salvador levou o governo da Bahia a abrir negociações com companhias aéreas para tentar restabelecer a conectividade da região sudoeste do estado. O tema foi tratado nesta quinta-feira, 16, pelo secretário estadual de Turismo, Maurício Bacelar, em entrevista ao jornalista Daniel Silva, no programa Brasil Notícias.
A principal queixa da população é a substituição do avião que fazia a rota entre Conquista e a capital baiana. O ATR-72, com capacidade para 72 passageiros, foi trocado por um Caravan, aeronave de menor porte que transporta apenas oito pessoas. A mudança provocou críticas de passageiros e empresários, preocupados com a redução da oferta de assentos.

Segundo Bacelar, a decisão da Azul faz parte de um ajuste nacional provocado pela crise ainda enfrentada pelo setor aéreo. O secretário afirmou que a aviação comercial é uma das áreas do turismo que mais sofrem os reflexos da pandemia.
Ele também citou o aumento do dólar e do querosene de aviação, além de tensões geopolíticas internacionais, como fatores que pressionam os custos operacionais das empresas.
Mesmo com incentivos fiscais oferecidos pelo governo baiano, a Azul informou que os voos regionais seguem com dificuldades de viabilidade econômica. Hoje, a companhia paga ICMS reduzido de 4% sobre o combustível, enquanto Gol e Latam recolhem 10%.
Outro problema apontado é a falta de aeronaves adequadas para rotas regionais. Bacelar lembrou que poucas empresas operam aviões como o ATR no Brasil, o que limita alternativas imediatas.

O secretário informou ainda que se reúne nesta quinta-feira, 16, com a direção da Azul para discutir o caso. Paralelamente, o governo negocia com a Gol a criação de uma nova ligação aérea entre Vitória da Conquista e Salvador, aproveitando aeronaves que já pernoitam no município.
Maurício Bacelar defendeu o Caravan como um avião seguro e utilizado em operações regionais, mas reconheceu a insatisfação causada pela mudança. Segundo ele, o governo trabalha para ampliar novamente a oferta de voos no interior baiano.
Ouça a entrevista: