Conta da saúde pressiona Conquista e expõe desafio de financiar demanda regional do SUS
Vitória da Conquista destina quase R$ 400 milhões para a saúde pública em 2026. O valor impressiona e representa mais de um quinto de todo o orçamento municipal. Ainda assim, nos bastidores da gestão, cresce a preocupação com a capacidade financeira da cidade de sustentar praticamente sozinha uma rede que atende pacientes de todo o sudoeste baiano.

Referência regional em média e alta complexidade, Conquista recebe diariamente pessoas vindas de dezenas de municípios em busca de consultas, exames, cirurgias, internações e atendimento de urgência. A estrutura inclui Hospital Esaú Matos, UPAs, CAPS, centros especializados, laboratórios e unidades básicas espalhadas pela cidade.
O problema é que a conta cresce em ritmo mais acelerado do que os repasses públicos.

A prefeitura já admite investir acima do mínimo constitucional na saúde. Enquanto a legislação exige aplicação de 15% das receitas, o município opera próximo da faixa dos 22%, numa tentativa de manter os serviços funcionando sem interrupções.
Só a atenção básica deve consumir mais de R$ 141 milhões neste ano. Já os serviços especializados, onde estão os maiores custos hospitalares, ultrapassam R$ 125 milhões.
A pressão financeira tem várias origens:
- aumento da demanda regional;
- alta nos preços de medicamentos e insumos;
- crescimento da folha;
- judicialização da saúde;
- defasagem da tabela SUS.

Hoje, muitos procedimentos realizados pela rede municipal custam mais do que o valor pago pelo Sistema Único de Saúde. Na prática, a prefeitura precisa complementar despesas com recursos próprios para evitar redução de atendimentos.
O cenário reacende um debate antigo entre gestores municipais: cidades polo não conseguem mais financiar sozinhas estruturas regionais de saúde.

Nos bastidores políticos e técnicos, cresce a cobrança para que o Governo da Bahia amplie sua participação no custeio da rede conquistense, principalmente nos serviços de média e alta complexidade, que atendem pacientes de toda a região.
Sem reforço financeiro estadual e atualização dos repasses federais, o temor é de estrangulamento progressivo da rede pública. Especialistas alertam para riscos como aumento das filas, sobrecarga hospitalar e até descontinuidade de serviços em áreas mais sensíveis.