Duas mortes em uma noite expõem colapso no Anel Viário de Conquista
Vitória da Conquista não pode mais tratar como rotina aquilo que já virou tragédia anunciada. Em uma única noite, nesta terça-feira, duas pessoas morreram no Anel Viário. Duas vidas interrompidas em uma rodovia que há muito tempo deixou de ser apenas um trecho federal e passou a ser um corredor diário de medo, abandono e indignação.
Primeiro, um ciclista perde a vida atropelado. Horas depois, um motociclista morre após atingir bois soltos na pista. E a pergunta que fica é simples, direta e dolorosa: até quando?
O Anel Viário corta Vitória da Conquista de ponta a ponta. Milhares de pessoas atravessam aquela rodovia todos os dias para trabalhar, estudar, voltar pra casa. Tem trabalhador de bicicleta, motociclista, pedestre, famílias inteiras convivendo com o risco permanente. E mesmo assim, o que se vê é uma estrutura incompatível com o tamanho e a importância da terceira maior cidade da Bahia.
Cadê os viadutos? Cadê as passarelas? Cadê a iluminação adequada? Cadê a duplicação completa, os acessos seguros, a fiscalização eficiente, o controle de animais soltos? Cadê a responsabilidade dos governos?
Porque não dá mais para empurrar esse problema com promessas e discursos técnicos enquanto o povo morre no asfalto.
O Governo Federal tem responsabilidade direta sobre a rodovia. O Governo do Estado também tem obrigação política e moral de pressionar, cobrar e participar das soluções. Vitória da Conquista cresceu, virou polo regional, concentra comércio, saúde, educação e circulação intensa de veículos. Mas a infraestrutura continua atrasada, insuficiente e perigosa.
E toda vez que acontece uma morte, surgem as notas oficiais, os lamentos, as estatísticas. Mas quem passa pelo Anel Viário sabe: não estamos falando de fatalidade isolada. Estamos falando de negligência acumulada.
A cidade não precisa de homenagem depois da tragédia. Precisa de prevenção antes dela.
Porque enquanto faltam passarelas, sobra risco. Enquanto faltam viadutos, sobra imprudência forçada. Enquanto falta investimento, sobram cruzes às margens da pista.
E nenhuma cidade merece conviver com isso como se fosse normal.