Pacientes com câncer denunciam falta de medicamento na Bahia e relatam mortes durante espera por tratamento
A luta contra o câncer ganhou um novo capítulo de indignação na Bahia. Pacientes oncológicos denunciam a falta de fornecimento do medicamento Daratumumabe pelo poder público e afirmam que o atraso no acesso ao tratamento já resultou em mortes de pessoas que aguardavam pela medicação.
Um dos pacientes, morador de Vitória da Conquista, relata que trava uma batalha judicial há mais de um ano e meio para conseguir o remédio por meio da Defensoria Pública da União (DPU). Segundo ele, o governo já negou o fornecimento duas vezes, alegando falta de recursos financeiros.
“É revoltante ouvir que não tem dinheiro para liberar uma medicação que pode salvar vidas. Enquanto isso, em São Paulo nunca deixou de ser fornecida, e em Salvador começou a ser liberada há poucos meses. Aqui, os pacientes seguem abandonados”, desabafa.
De acordo com o relato, desde o início da ação judicial, pelo menos outras 15 pessoas também solicitaram o medicamento. No entanto, nenhuma delas teria conseguido acesso regular ao tratamento.
O cenário se tornou ainda mais dramático com o passar do tempo. Segundo o paciente, seis pessoas que aguardavam a medicação morreram durante o processo de espera. Outros quatro pacientes passaram a participar de um estudo experimental em Salvador, enquanto ele e mais cinco continuam sem resposta definitiva.
“Não estamos falando de luxo. Estamos falando de sobrevivência. Somos seres humanos e precisamos ser tratados com dignidade”, afirma.
O paciente também relata que é acompanhado há cerca de três anos por um médico oncologista, que acompanha de perto a situação dos pacientes afetados pela falta do medicamento na Bahia. A denúncia levanta questionamentos sobre o acesso desigual a tratamentos de alto custo no país e sobre a demora no cumprimento de decisões relacionadas à saúde pública.
Especialistas lembram que o Daratumumabe é utilizado no tratamento de determinados tipos de câncer hematológico, especialmente o mieloma múltiplo, e pode representar aumento de sobrevida e melhora significativa na qualidade de vida dos pacientes.
Enquanto aguardam uma solução, famílias convivem diariamente com a angústia, o medo e a sensação de abandono.
A reportagem deixa espaço aberto para manifestação da Secretaria da Saúde da Bahia e dos órgãos responsáveis pelo fornecimento da medicação.