Diogo Azevedo reage à decisão do TRE-BA e coloca Justiça Eleitoral e prefeita sob suspeita
A reação do vereador Diogo Azevedo (PSDB) à decisão liminar do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), que determinou a suspensão temporária de seu mandato por suposta infidelidade partidária, ultrapassou a contestação jurídica e ganhou contornos de grave enfrentamento institucional.
Em vez de concentrar sua defesa no mérito do processo, Diogo passou a questionar a atuação da Justiça Eleitoral e atribuiu à prefeita Sheila Lemos (União Brasil) participação na ação que pode tirá-lo definitivamente da Câmara.
Ao comentar a decisão da desembargadora, afirmou:
“Eu acho que ela está equivocada na decisão que ela tomou. Faltou avaliar todos os dados apresentados, as testemunhas, inclusive apresentadas.”
Discordar de uma decisão judicial é um direito assegurado a qualquer cidadão. Mas o discurso do vereador foi além da crítica técnica.
“Na Justiça Eleitoral a gente observa várias coisas… que diz respeito a X ou Y que tem interferência ou não.”
A declaração lança suspeitas sobre a independência da Justiça Eleitoral sem que o parlamentar apresente qualquer elemento concreto para sustentar a insinuação.
Na sequência, ele reforça a tese de perseguição política.
“Vai conseguir provar a nossa perseguição política.”
O momento mais delicado da entrevista ocorre quando Diogo aponta diretamente para a prefeita Sheila Lemos.
“A gente sabe que é da prefeita que tem essa digital.”
E acrescenta:
“Inclusive tem áudio dela dizendo sobre isso.”
São acusações de enorme gravidade. Se verdadeiras, exigem imediata apresentação das provas às autoridades competentes. Se não forem comprovadas, colocam sob suspeita, sem respaldo público conhecido, tanto a chefe do Executivo quanto a própria atuação da Justiça Eleitoral.
O processo que suspendeu o mandato de Diogo não foi aberto pela Prefeitura, mas pelo suplente da vaga, que alega infidelidade partidária. A decisão liminar foi tomada por uma desembargadora do TRE-BA e ainda será submetida ao julgamento do colegiado.
Ao transformar uma disputa judicial em um embate político, Diogo Azevedo eleva a temperatura da crise e assume o ônus de sustentar, com provas, acusações que atingem diretamente uma prefeita e, ainda que de forma indireta, a credibilidade de uma das principais instituições da democracia brasileira: a Justiça Eleitoral.
Ouça a sonora de Diogo Azevedo com as declarações citadas nessa matéria, publicadas no Blog do Sena: