Conquista não perdeu por falta de voto; perdeu por falta de coordenação
A eleição deste domingo deixa uma lição que Vitória da Conquista precisa discutir com maturidade: nós temos força eleitoral, mas ainda não conseguimos transformar essa força em representação política na proporção do tamanho da cidade e da importância que ela tem para o Sudoeste.
Wagner Alves é o maior exemplo disso.
O candidato do União Brasil surpreendeu. Foi o deputado estadual mais votado em Vitória da Conquista, com mais de 33 mil votos, e ultrapassou a marca de 53 mil votos em toda a Bahia. Uma votação expressiva, muito acima das expectativas de boa parte da classe política. Mesmo assim, ficou fora da Assembleia.
Quinho também teve uma votação expressiva, quase 20 mil votos em Conquista e cerca de 55 mil em todo o estado, mas não conseguiu a cadeira.
E existe ainda outro dado que precisa ser colocado na mesa: Doutora Lara teve mais de 10 mil votos em Conquista. Ela e Wagner, juntos, passaram dos 43 mil votos na cidade.
Não é possível dizer que todos esses votos seriam de um candidato caso o outro não estivesse na disputa. Eleitor não é patrimônio de político. Mas é inevitável fazer uma pergunta: será que Vitória da Conquista poderia ter organizado melhor suas candidaturas para transformar uma parte maior dessa força eleitoral em representação?
Essa pergunta não é contra Wagner. Não é contra Lara. E não é contra Quinho.
É contra uma lógica política que ainda pensa muito no candidato e pouco na cidade.
Conquista tem mais de 260 mil eleitores. É o terceiro maior colégio eleitoral da Bahia. É referência econômica, comercial, médica, educacional e administrativa para dezenas de municípios.
Mas, na hora de transformar voto em poder político, continuamos pequenos.
E talvez esse seja o grande recado das urnas de 2026.
Não basta ter candidato forte. Não basta ter dinheiro de campanha. Não basta ter grupo político. Não basta ter 30 mil, 40 mil ou 50 mil votos.
É preciso ter estratégia. É preciso conversar. É preciso coordenar.
É preciso entender que Vitória da Conquista não termina na divisa do município. O que está em jogo é a representação de todo o Sudoeste.
A política regional precisa começar a discutir menos quem será o dono da cadeira e mais quantas cadeiras a região consegue conquistar.
Porque enquanto cada grupo trabalhar para eleger apenas o seu candidato, nós continuaremos assistindo a uma situação paradoxal: uma cidade que produz milhares de votos, mas não consegue transformar todo esse voto em força política.
E talvez essa seja a maior derrota de Conquista nesta eleição.
Não foi falta de voto. Foi falta de coordenação.
E, para 2028 e para as próximas eleições gerais, essa talvez seja a principal lição: Conquista precisa colocar o interesse coletivo acima da disputa individual.
Porque candidato passa. Partido passa. Grupo político passa.
Mas a cidade fica.