Lula ganha 10 milhões de votos entre os turnos e transforma desvantagem em vitória sobre Flávio Bolsonaro
Presidente saiu do primeiro turno com 2,2 milhões de votos a menos e terminou a eleição com vantagem de 4,4 milhões; mudança representa uma virada de 6,6 milhões de votos na diferença entre os candidatos.
A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva foi marcada por uma mudança expressiva no comportamento do eleitorado brasileiro. O presidente conseguiu não apenas recuperar a desvantagem registrada no primeiro turno, mas também abrir mais de quatro milhões de votos de diferença sobre Flávio Bolsonaro.
Na primeira votação, Flávio havia recebido 56,1 milhões de votos, contra 53,8 milhões de Lula. O candidato do PL chegou ao segundo turno com uma vantagem de aproximadamente 2,2 milhões de votos.
Três semanas depois, o cenário se inverteu.
Lula alcançou cerca de 64,2 milhões de votos, um crescimento superior a 10 milhões em relação ao primeiro turno. Flávio também ampliou sua votação, chegando a aproximadamente 59,8 milhões, mas seu crescimento foi menor.
Na prática, a diferença entre os candidatos sofreu uma mudança de aproximadamente 6,6 milhões de votos, considerando a vantagem inicial de Flávio e o resultado favorável a Lula no segundo turno.
O desempenho garantiu ao petista sua maior votação em números absolutos desde a primeira candidatura à Presidência, em 1989.
O recorde, entretanto, não representa sua maior vitória proporcional. Em 2002, Lula derrotou José Serra com 61,27% dos votos válidos.
A diferença no crescimento das votações ajuda a explicar a virada de 2026. Lula conseguiu ampliar seu eleitorado em ritmo superior ao adversário, num segundo turno em que a transferência de votos dos candidatos eliminados e a participação dos eleitores tiveram papel importante.
O resultado encerra uma disputa acirrada e confirma a dimensão da polarização política no país. Apesar da vitória de Lula, Flávio Bolsonaro terminou a eleição com quase 60 milhões de votos, consolidando uma expressiva base eleitoral de oposição ao próximo governo.