Conquista tem 264 mil eleitores: o desafio agora é transformar voto em força política
Vitória da Conquista chega a esta eleição com uma pergunta que não é pequena: o que a cidade vai fazer com os seus mais de 264 mil eleitores?
Esse número coloca Conquista entre os maiores colégios eleitorais da Bahia. E, portanto, dá à cidade um peso político que não pode ser ignorado.
Mas existe um problema: ter eleitor não significa, automaticamente, ter representação.
Neste domingo, Conquista tem candidatos ligados à cidade disputando vagas para a Assembleia Legislativa e para a Câmara dos Deputados. São 13 nomes na disputa estadual e 14 na federal, segundo levantamento feito a partir dos dados eleitorais.
E aí aparece o dilema.
Quando o voto se espalha demais, a cidade pode terminar a eleição com muitos candidatos, muitas campanhas, muitos discursos e pouca representação efetiva.
Não estou dizendo que o eleitor deve votar em A, B ou C. Essa decisão é individual. É do cidadão.
Mas é preciso entender o tamanho da oportunidade.
A Bahia elegerá 63 deputados estaduais e 39 deputados federais. São 102 cadeiras em disputa.
Conquista tem eleitorado suficiente para participar dessa conta de maneira relevante.
Em 2022, por exemplo, candidatos ligados à cidade tiveram votações expressivas. Zé Raimundo passou de 32 mil votos para deputado estadual. Waldenor Pereira também ultrapassou os 32 mil votos para deputado federal. Fabrício Falcão e Tiago Correia também tiveram votações importantes no município.
Ou seja: Conquista já mostrou que consegue produzir votação.
A questão agora é outra: consegue transformar essa votação em representação?
E aqui está o ponto que precisa ser dito com clareza.
Eleição proporcional não é simplesmente uma disputa individual. O desempenho dos partidos e federações também pesa. E, principalmente para deputado federal, não basta olhar apenas para os votos dentro de Conquista. É preciso ter desempenho eleitoral em outras cidades e regiões.
Por isso, a eleição deste domingo não deveria ser tratada apenas como uma disputa entre nomes.
É uma disputa sobre qual será o tamanho político de Vitória da Conquista depois da eleição.
Porque 264 mil eleitores representam muito.
Mas 264 mil votos pulverizados podem produzir um resultado completamente diferente de uma cidade que consegue eleger representantes com votação consistente.
E não estou falando de voto de cabresto, voto combinado ou de uma escolha coletiva.
Estou falando de consciência.
O eleitor precisa saber quem está disputando, o que cada candidato defende, qual é a sua trajetória, de onde vem o apoio político e, principalmente, qual relação esse candidato pretende manter com Vitória da Conquista depois que a urna fechar.
Porque campanha passa.
O mandato fica.
E a cidade continua precisando de representantes para discutir orçamento, saúde, educação, infraestrutura, segurança, transporte, investimentos e recursos para a região.
No fim das contas, a pergunta não é simplesmente:
“Quem vai ganhar?”
A pergunta que interessa a Conquista é:
“Que força política a cidade vai construir a partir dos votos deste domingo?”
São mais de 264 mil eleitores.
São dezenas de candidatos.
São 102 cadeiras em disputa entre Assembleia e Câmara.
E existe uma cidade inteira esperando para saber quanto desse tamanho eleitoral vai se transformar em representação política.
O voto é individual.
Mas o resultado tem consequência coletiva.
Que cada eleitor escolha livremente. Mas que escolha sabendo o tamanho do voto que tem nas mãos.
Porque Conquista não precisa apenas votar.
Conquista precisa fazer o seu voto valer politicamente.