Desigualdade racial persiste no Brasil: negros ganham menos, estudam menos e são maioria nas prisões, aponta levantamento
O racismo estrutural segue moldando a sociedade brasileira e aparece de forma clara nos números. Segundo o Centro de Estudos e Dados sobre Desigualdades Raciais, pessoas negras recebem, em média, pouco mais da metade da renda de pessoas brancas: R$ 2.199 contra R$ 3.729 em 2023. Essa desigualdade afeta moradia, saúde, educação e acesso ao poder.
No mercado de trabalho, a situação é ainda mais evidente. Dados do Ministério do Trabalho mostram que o desemprego entre mulheres negras chega a 10,1%, acima da média nacional. A informalidade também é maior: 44% dos homens negros e 41% das mulheres negras trabalham sem carteira assinada. E mesmo no emprego formal, brancos ganham 67% mais por hora, segundo o Ibre-FGV.
A educação confirma o abismo: apenas metade dos negros adultos concluiu a educação básica, e somente 12,6% têm diploma universitário — menos da metade da taxa entre brancos. No sistema prisional, a disparidade também cresce: 68% das pessoas presas no país são negras.
Na Bahia, políticas públicas tentam enfrentar esse cenário, como escolas de tempo integral, programas de habitação e o Centro de Referência Nelson Mandela. A secretária de Promoção da Igualdade Racial, Ângela Guimarães, defende a aprovação da PEC 27 de 2024, que cria o Fundo Nacional de Reparação e Igualdade Racial, para garantir ações permanentes e efetivas.