Direita, esquerda e o manual de governar
A pergunta é simples, mas a resposta não é: direita e esquerda governam de formas diferentes ou acabam recorrendo ao mesmo manual?
Os discursos se distinguem, os símbolos também. Mas, quando chegam ao poder, muitas vezes os governos se veem diante das mesmas engrenagens: a necessidade de compor alianças, a pressão do mercado, a rigidez da máquina pública, o limite da dívida, o imediatismo de resultados que garantam a sobrevivência política. A retórica muda, mas as práticas frequentemente se repetem.
Talvez o verdadeiro problema não esteja apenas nas ideologias, mas na distância entre governantes e governados. Enquanto a população permanece ausente dos espaços de decisão, sem canais efetivos de participação e sem força para influenciar prioridades, a política se reduz a uma disputa de narrativas sobre um mesmo roteiro.
E é dessa ausência que nasce uma dívida silenciosa: a de um país que continua sendo administrado sem a participação real de seus cidadãos. Uma democracia que não se completa, porque ainda não aprendeu a escutar para além das urnas.