Dois estudos divergem e reacendem debate: afinal, a desigualdade no Brasil caiu ou voltou a crescer?
O Brasil está mais desigual… ou menos desigual? A resposta, que deveria ser simples, virou um dos debates mais quentes entre economistas nesta semana.
Um novo relatório global, o World Inequality Report 2026, divulgado nesta quarta-feira (10), afirma que a concentração de renda entre os mais ricos voltou a crescer no Brasil. Segundo o levantamento — que tem entre os autores o francês Thomas Piketty — o país ficou um pouco mais desigual entre 2014 e 2024 e segue entre os campeões mundiais da desigualdade.
Mas, na direção oposta, um estudo recém-lançado pelo Ipea mostra outro cenário: segundo a instituição, em 2024 o Brasil atingiu o menor nível de desigualdade dos últimos 30 anos, com aumento da renda dos mais pobres e queda recorde da pobreza. A pesquisa foi celebrada pelo governo Lula, que recebeu os autores no Palácio do Planalto.
A divergência acendeu o alerta no meio acadêmico. Especialistas dizem que o estudo do Ipea, baseado apenas em dados da Pnad/IBGE, não captura a renda real dos muito ricos — que aparece com mais precisão nas declarações do Imposto de Renda. Já o relatório internacional combina as duas bases e aponta que o topo da pirâmide segue avançando mais rápido do que o restante do país.
Mesmo com as controvérsias, pesquisadores reconhecem avanços recentes, como programas de renda, emprego em alta e a reforma do Imposto de Renda, que vai isentar quem ganha até R$ 5 mil e aumentar a cobrança sobre os mais ricos.
Enquanto isso, a pergunta continua no ar: o Brasil está diminuindo sua desigualdade… ou apenas enxergando uma parte da história?