Duas mortes acendem alerta para riscos da mobilidade em Vitória da Conquista
Duas mortes em poucos dias recolocam Vitória da Conquista diante de uma verdade incômoda: o problema da mobilidade urbana deixou de ser apenas congestionamento e passou a ser, sobretudo, uma questão de sobrevivência.
A tragédia na Avenida Brumado, que tirou a vida de uma menina de 12 anos, revela a fragilidade de motociclistas e passageiros em corredores tomados por caminhões, ônibus e tráfego pesado. Tecnicamente, quando veículos de massas tão diferentes dividem o mesmo espaço sem segregação adequada, qualquer erro, desequilíbrio ou manobra brusca pode se transformar em fatalidade.
Já a morte de um pedestre na BR-116 escancara outro colapso: o de uma rodovia que, na prática, funciona como avenida urbana. Onde há moradias, comércio e circulação de pessoas, velocidade elevada significa risco permanente. Sem passarelas, iluminação eficiente e travessias protegidas, o pedestre fica entregue à própria sorte.
Os dois casos têm a mesma raiz: infraestrutura abaixo da demanda real da cidade, crescimento acelerado da frota e ausência de intervenções preventivas nos pontos críticos.
A resposta técnica é conhecida: reduzir velocidades, reforçar fiscalização, redesenhar cruzamentos perigosos, proteger travessias e reorganizar o fluxo pesado. O que falta não é diagnóstico. É prioridade política.
Quando crianças morrem em avenidas e pedestres tombam em rodovias urbanizadas, não se pode falar em acaso. É o sistema emitindo um alerta urgente.