Editorial: o Brasil entre a violência do crime e a omissão do Estado
Sabe quando a gente olha pro noticiário e pensa: “tem alguma coisa muito errada”? Pois é.
Uma mulher pega 14 anos de prisão por pichar uma estátua com batom… e, ao mesmo tempo, um assassino reincidente tá solto depois de seis anos. É esse tipo de contradição que faz muita gente desacreditar da Justiça.
O filósofo Luiz Felipe Pondé foi direto: o Estado brasileiro perdeu o controle — perdeu a soberania pro crime organizado.
Enquanto o governo fala em soberania nacional e o Supremo em defesa da democracia, o crime vai tomando espaço, com apoio, inclusive, de setores da própria sociedade.
Pondé diz que, se continuar assim, daqui a vinte anos o Brasil pode parecer com os países do chifre da África — lugares onde gangues mandam mais que o governo.
Ele até reconhece o esforço das operações policiais, como a que a gente viu no Rio, mas lembra: a atenção dura pouco. A mídia esquece, os políticos voltam pro jogo eleitoral, e a sensação de insegurança continua.
No fim das contas, o cidadão fica no meio do fogo cruzado: entre a violência do crime e a truculência do Estado.
E o que sobra é essa sensação de abandono…
De que o Brasil tá sendo governado, mas não necessariamente por quem deveria.