Enxurrada que quase matou farmacêutico expõe falhas na drenagem de Vitória da Conquista
As imagens do carro sendo engolido pela enxurrada na Avenida Juracy Magalhães correram o mundo e voltaram a expor o drama da drenagem urbana na cidade.
As cenas impressionantes registradas durante o temporal de domingo (9) deixaram Vitória da Conquista em choque. Um homem, em pé sobre o teto de um carro tomado pela água, tentava se equilibrar enquanto o veículo era engolido pela correnteza. Em poucos segundos, tudo desapareceu.

O homem era o farmacêutico Gerald Saraiva Silva de Sordi, servidor da Secretaria Municipal de Saúde. Por um verdadeiro milagre, Gerald conseguiu voltar à superfície e foi resgatado por um motorista que passava pela avenida. O motorista cortou a cerca de arame que separava a via do córrego e ajudou o farmacêutico a sair com vida. Em seguida, ele recebeu atendimento do Samu 192 e do Corpo de Bombeiros.

Se não fosse o resgate, essa seria a primeira morte provocada pelas chuvas em Vitória da Conquista em 13 anos, desde o caso das duas irmãs arrastadas pela enxurrada no córrego do Verruga, em 2012.
O episódio reacendeu o debate sobre a falta de investimentos em macrodrenagem na cidade. Trechos das avenidas Juracy Magalhães e Bartolomeu de Gusmão voltaram a ficar submersos, repetindo um problema que há décadas atinge as áreas mais baixas.
A Prefeitura enviou à Câmara Municipal um pedido de autorização para contratar até R$ 400 milhões em empréstimos destinados a obras de infraestrutura. A proposta divide opiniões e deve ser votada nas próximas semanas.
Especialistas, no entanto, alertam que o sistema de drenagem da cidade está antigo, corroído e sobrecarregado. E que, se não houver investimentos estruturais, o próximo temporal pode não terminar em milagre.