Guanambi também perdeu o ATR, mas ganhou voos diários; Conquista não teve a mesma sorte
A indignação em Guanambi com o novo avião da Azul chamou atenção em toda a Bahia. O secretário de Desenvolvimento Econômico do município comparou a aeronave de nove lugares ao “tonel do Chaves” e questionou se aquela era a estrutura que uma cidade em crescimento merecia. A crítica é válida. Mas, olhando para Vitória da Conquista, fica difícil não concluir que a situação por aqui é ainda mais preocupante.
Guanambi recebeu um avião menor, mas manteve voos diários. Conquista recebeu um avião menor e ainda perdeu frequência. Em outras palavras: a cidade que é polo de uma região com mais de dois milhões de habitantes passou a ter menos opções de deslocamento justamente quando sua importância econômica continua crescendo.
A conta não fecha. Conquista concentra hospitais de referência, universidades, centros comerciais e empresas que atraem pessoas de toda a região. Mesmo assim, viu sua malha aérea ser reduzida a um nível que parece incompatível com o tamanho da cidade e sua influência no interior baiano.
O mais curioso é que o aeroporto conquistense foi apresentado durante anos como peça estratégica para o desenvolvimento regional. Hoje, quem precisa viajar para Salvador encontra menos voos, menos assentos e pouca concorrência. O resultado aparece no bolso e na rotina dos passageiros.
Enquanto Guanambi reclama do tamanho do avião, Conquista deveria estar discutindo algo maior: por que uma das cidades mais importantes da Bahia continua perdendo espaço na aviação regional?
A sensação é que a Azul fez uma escolha clara. E ela não favoreceu a Suíça Baiana.
No fim, Guanambi ganhou um “tonel do Chaves”. Conquista corre o risco de ganhar algo pior: a fama de cidade grande tratada como destino secundário. E isso pesa muito mais do que o tamanho de qualquer aeronave.