Ivan Cordeiro sobe o tom sobre “autonomia” da Câmara, mas 2026 segue no velho jogo político
Ivan Cordeiro resolveu abrir 2026 fazendo aquilo que político em cargo de comando mais gosta: lembrar que tem poder. O presidente da Câmara de Vitória da Conquista discursou sobre autonomia, independência e fiscalização — um script conhecido, repetido sempre que o ano legislativo começa e os microfones estão ligados.
Na prática, o recado à prefeita Sheila Lemos foi o de sempre: não será fácil, assim como não foi em 2025. Mas convém lembrar que a tal dificuldade não nasceu de um surto súbito de altivez institucional. Projetos como IPTU na zona rural, Cosip e Zona Azul emperraram muito mais por impopularidade evidente do que por um súbito heroísmo legislativo.
A Câmara, vale dizer, não virou trincheira revolucionária. Continua sendo um espaço de negociação, pressão, recuos e acenos — como sempre foi. Autonomia, nesse caso, soa menos como independência plena e mais como lembrete protocolar de que o Executivo não atravessa projetos sem conversa prévia.
No resumo da ópera: Ivan falou bonito, a plateia anotou e o jogo segue o mesmo. 2026 promete embates? Sim. Mas nada muito diferente do roteiro conhecido. Menos épica institucional, mais política como ela é — com discurso firme na tribuna e acordos sendo costurados longe das câmeras.
*Imagem ilustrativa feita por meio de IA.