O novo cálculo político da Bahia
A eleição de 2022 deixou uma lição clara no tabuleiro político da Bahia. O então candidato ao governo, ACM Neto, foi forte nas grandes cidades, venceu em colégios eleitorais estratégicos e teve votação expressiva em centros urbanos importantes como Salvador, Feira de Santana e Vitória da Conquista. Ainda assim, o mapa final da eleição revelou um desafio: a força do interior.
O adversário, Jerônimo Rodrigues, venceu na grande maioria dos municípios baianos. Foi ali, no interior pulverizado, que a eleição começou a ser decidida. A política, como sempre, aprendeu com o resultado.
Agora, olhando para 2026, os movimentos começam a indicar uma correção de rota. A valorização de lideranças regionais e a aproximação com polos políticos do interior fazem parte desse novo cálculo. Cidades estratégicas ganham protagonismo porque representam mais do que um município: são centros de influência sobre dezenas de outras cidades.
É nesse contexto que polos regionais entram no radar das articulações. Municípios como Jequié, por exemplo, exercem influência sobre o Médio Rio de Contas e ajudam a conectar diferentes regiões do estado. Quando lideranças desse porte passam a ser consideradas no tabuleiro majoritário, o objetivo é ampliar presença territorial e equilibrar o mapa eleitoral.
A lógica é simples: para vencer uma eleição na Bahia, não basta ter grandes cidades ao lado. É preciso construir pontes com o interior, respeitar as lideranças regionais e compreender que cada região tem peso político próprio.
Mais do que corrigir erros do passado, o que se vê agora é a tentativa de montar um quebra-cabeça mais completo do estado. Uma estratégia que olha para Salvador, mas que também entende a força das cidades médias e das regiões que moldam a política baiana.
No fim das contas, a eleição na Bahia sempre foi decidida assim: quando capital e interior caminham juntos, o resultado costuma aparecer nas urnas.