Quando a Justiça parece distante do senso de justiça
A morte do pequeno Riquelmy, de apenas 1 ano e 9 meses, atropelado em uma rua de Vitória da Conquista, causou comoção não apenas pela brutalidade do ocorrido, mas também pela resposta que se seguiu: o condutor do veículo, que fugiu do local sem prestar socorro, responderá ao processo em liberdade.
A decisão, amparada pela legalidade, confronta diretamente o senso comum de justiça. Afinal, um bebê perdeu a vida. Foi atingido com tamanha violência que seu corpo foi lançado a dezenas de metros de distância. E o condutor, embora tenha se apresentado depois, deixou a cena do crime — ou do acidente, como alguns preferem chamar — alegando medo de represálias.
Medo ele teve. E a criança? E a família? O que restou para eles foi o silêncio ensurdecedor da perda. A ausência definitiva. Já o motorista tem o direito de responder em liberdade.
A Justiça, em muitos momentos, parece se esconder atrás da letra fria da lei, esquecendo que sua razão de existir é proteger a vida — e não apenas administrar processos. Há previsões legais para liberdade provisória? Sim. Mas há também a prerrogativa do bom senso, do simbolismo, da mensagem que se transmite à sociedade. E a mensagem, nesse caso, é clara: mesmo diante de uma tragédia anunciada pela imprudência, é possível sair pela porta da frente — sem algemas e sem punição imediata.
É nesses momentos que a população se pergunta se o peso da lei é o mesmo para todos. E se, mais uma vez, a Justiça não ficou devendo… justiça.