Quem fica com a sorte: governo do Estado ou prefeituras baianas?
Enquanto o Governo da Bahia se prepara para lançar a Loteba, a Loteria do Estado, os municípios correm contra o tempo para criar suas próprias versões locais.
Vitória da Conquista, Salvador, Feira de Santana e Ilhéus já se movimentam nesse sentido. Mas a pergunta que fica é: até onde vai a autonomia dos municípios, e onde começa o poder do Estado?
O projeto enviado pelo governador Jerônimo Rodrigues à Assembleia Legislativa coloca a BahiaInveste como gestora exclusiva da Loteba — e reserva ao Estado o controle total sobre a regulação e a fiscalização das apostas.
Na prática, isso pode criar um funil: quanto mais o Estado centraliza, menos espaço sobra para as cidades que buscam diversificar suas receitas e garantir autonomia financeira.
O debate é legítimo e urgente.
De um lado, o Estado tenta organizar o sistema e ampliar a arrecadação.
De outro, os municípios veem na loteria uma nova fronteira de receita, que pode financiar saúde, educação e cultura.
No fim das contas, o que está em jogo é mais do que sorte — é o direito de decidir sobre o próprio destino fiscal.