“Tenho medo de voltar para casa”: gestante relata descaso e superlotação no Hospital Esaú Matos
Grávida e sem atendimento médico por mais de 12 horas, uma mulher viveu momentos de tensão e incerteza ao procurar ajuda no Hospital Esaú Matos, em Vitória da Conquista. O caso aconteceu na última terça-feira (1º), por volta das 16h, quando ela chegou à unidade de saúde em busca de avaliação, mas até a manhã do dia seguinte ainda não havia sido atendida por um médico.
Sem saber a quem recorrer, ela decidiu permanecer no hospital, mesmo sem previsão de atendimento. “Tenho medo de voltar para casa e algo acontecer comigo ou com meu bebê”, desabafou. O sentimento é de impotência diante de um sistema que, segundo ela, já não dá conta da demanda.
Enquanto esperava, a gestante testemunhou uma cena que a deixou ainda mais abalada: outra mulher em trabalho de parto foi obrigada a dar à luz dentro de uma ambulância, por falta de leitos disponíveis na unidade. “É desesperador ver isso acontecer e saber que posso ser a próxima”, disse.
O relato dessa paciente evidencia o colapso na estrutura do Esaú Matos, referência no atendimento materno-infantil na região. A situação é agravada pela superlotação recorrente e pela ausência de medidas eficazes por parte do poder público.
Na semana anterior, a crise chegou a provocar um tumulto generalizado na recepção, levando à intervenção da Polícia Militar. A paciente afirma que o clima no local é de tensão constante, com profissionais sobrecarregados e acompanhantes aflitos.