Tragédia na estrada de Barra do Choça acende alerta sobre transporte de passageiros por moto em Conquista
A morte de Júlia Dutra, de apenas 19 anos, em um grave acidente registrado na última sexta-feira (3), na BR-415, que liga Vitória da Conquista à Barra do Choça, trouxe à tona novamente o debate sobre o transporte de passageiros por motocicletas, popularmente conhecido como “motor-uber”.

Segundo testemunhas, Júlia estava em deslocamento por meio desse tipo de serviço quando ocorreu o acidente, que não deixou chances de sobrevivência. Infelizmente, não é a primeira tragédia envolvendo passageiros transportados por moto na cidade. Recentemente, Heloiza Gomes, no anel viário de Vitória da Conquista, e Renato Santos, também no anel viário, perderam a vida em situações semelhantes.

A tragédia reacende um questionamento fundamental: por que o transporte de passageiros por moto foi liberado na cidade, mesmo diante de índices dalarmantes de acidentes envolvendo motociclistas? Embora exista um parecer favorável do Ministério Público autorizando essa modalidade, não há regulamentação municipal específica que trate da segurança e fiscalização desse serviço.

Os números da cidade são preocupantes:
* Frota de motos cresceu 66% em 10 anos, saltando de 33.846 em 2015 para 56.188 em 2025.
* Atendimento a motociclistas pelo SAMU aumentou 5,4% de 2023 para 2024 e já registrou alta de 17,25% nos primeiros meses de 2025.
* 80% das cirurgias ortopédicas eletivas no Hospital Geral envolvem vítimas de acidentes de moto.
* Em junho de 2025, 85% das vítimas de trânsito eram motociclistas.
Especialistas e autoridades alertam que, sem regulamentação adequada, a liberação do transporte de passageiros por moto representa risco significativo à população. A tragédia com Júlia Dutra é mais um alerta sobre os perigos desse modelo de transporte e coloca em xeque a atual autorização do serviço: estamos tomando decisões baseadas em pareceres legais, mas ignorando os dados reais sobre segurança viária?
O aumento da frota de motocicletas, aliado à falta de regras específicas e à elevada taxa de acidentes, reforça a necessidade urgente de políticas públicas que regulamentem, fiscalizem e garantam a segurança de motoristas e passageiros. Até que isso aconteça, casos como o de Júlia, Heloiza e Renato podem se repetir.