Vice-presidente da Unimed Sudoeste explica demissões e rebate denúncias sobre pressão a funcionários
O vice-presidente da Unimed Sudoeste, Uagnis Sousa, concedeu entrevista exclusiva ao Blog do Daniel Silva para esclarecer a situação envolvendo as 217 demissões registradas após a transferência do Pronto Atendimento Adulto do Hospital Unimed Andro para o Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), administrado pela Santa Casa de Misericórdia de Vitória da Conquista. A decisão, que gerou forte repercussão entre trabalhadores e sindicatos, levou a uma série de questionamentos sobre pagamentos, recontratações e denúncias de pressão sobre os colaboradores desligados.
Durante a entrevista, Uagnis Sousa enfatizou que a mudança faz parte de uma “reestruturação necessária” para garantir sustentabilidade ao sistema e manter a qualidade dos serviços prestados aos beneficiários. Segundo ele, o Hospital Unimed Andro reconhece a dívida estimada em R$ 4,2 milhões referente às rescisões, mas afirma que não há condições financeiras de quitar esse valor integralmente em um único pagamento.
O dirigente confirmou que a cooperativa propôs um parcelamento dos valores, que pode chegar a 36 meses, e que as condições estão sendo discutidas com o Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Vitória da Conquista (SINDVIDA). “O objetivo é chegar a um acordo que seja viável para os trabalhadores e que a Unimed possa cumprir integralmente. Não queremos empurrar o problema, queremos resolver”, afirmou.
Sobre as denúncias feitas por funcionários — que relataram ao sindicato e à imprensa que estariam sendo coagidos a aceitar o parcelamento, abrir mão do seguro-desemprego ou até mesmo pedir demissão para facilitar uma possível recontratação — Uagnis Sousa foi categórico ao negar qualquer tipo de pressão. “A Unimed não adota e não admite práticas de constrangimento. Se houve qualquer abordagem indevida, não partiu da gestão. Reforçamos que cada trabalhador tem total liberdade para decidir e buscar seus direitos”, declarou.
O vice-presidente também comentou o processo de reabsorção de parte da equipe pelo HSVP. Segundo ele, cerca de 120 profissionais devem ser recontratados pela Santa Casa, e aproximadamente 80 já haviam sido admitidos entre sexta-feira (28) e esta terça (2). “A transição foi planejada para que houvesse o mínimo impacto possível aos colaboradores. Muitos têm sido aproveitados pelo São Vicente, justamente para reduzir prejuízos aos trabalhadores e manter a continuidade do serviço”, explicou.
Em relação ao 13º salário, Uagnis esclareceu que o pagamento referente aos funcionários desligados antes de 30 de novembro está incluído no valor das rescisões negociadas com o sindicato. Ele reforçou que a Unimed pretende pagar o salário de novembro até o dia 5, conforme previsto. Para aqueles que não concordarem com as condições propostas, o vice-presidente afirmou que a recomendação é que busquem seus direitos pela via judicial. “É um direito de qualquer trabalhador, e a empresa irá acatar as decisões”, disse.
Uagnis finalizou a entrevista afirmando que a cooperativa está disponível para prestar esclarecimentos e defender a legalidade do processo. “Estamos abertos ao diálogo e comprometidos com a transparência. Sabemos da sensibilidade do momento e queremos conduzir essa transição com responsabilidade”, concluiu.
A repercussão das demissões e as negociações seguem em andamento, enquanto trabalhadores, sindicato e Unimed buscam uma saída para minimizar os impactos sociais e financeiros da mudança.