Vitória da Conquista se despede da professora Betta, símbolo de educação, fé e luta social
Hoje, despede-se de nós uma mulher que fez da vida uma lição de coragem, fé e compromisso com o outro. A professora Elizabeth Ferreira Lopes, a nossa querida Betta, partiu nesta quarta-feira (5), em Vitória da Conquista, deixando um legado que não cabe em palavras — mas que permanece vivo em cada gesto de amor, em cada jovem que acreditou em si mesmo graças à sua força e em cada causa que ela abraçou com o coração inteiro.
Betta foi uma das mentes e corações por trás do cursinho Dandara dos Palmares, que abriu portas e horizontes para tantos jovens negros no caminho do ensino superior. Foi também uma das fundadoras da Pastoral dos Negros, espaço de fé, acolhimento e resistência que marcou profundamente a história da cidade e da comunidade negra conquistense.
Mulher de voz firme e alma doce, militante incansável, Betta acreditava que transformar o mundo começava por transformar as pessoas ao redor. E foi exatamente isso que ela fez — com afeto, com palavras, com gestos e com exemplo.
Tive o privilégio de conviver com ela em diferentes fases da vida. Como jornalista, aprendi muito com sua visão crítica e generosa. Como cirurgião-dentista, pude cuidar dela e de seus filhos, num gesto de carinho e confiança que me marcou profundamente. É difícil dizer adeus a alguém que tanto ensinou, tanto lutou e tanto inspirou.
Hoje, o silêncio que fica é o da saudade — mas também o da gratidão. Gratidão pela professora, pela amiga, pela mulher que sempre acreditou que a educação e a empatia são forças capazes de mudar o mundo.
Que Deus a receba em luz e paz. E que o sorriso da professora Betta continue a brilhar em cada conquista que brotar do amor e da esperança que ela espalhou.