Câmara entra em rota de colisão com a Prefeitura após decreto polêmico da Zona Azul
O decreto que aumentou a tarifa da Zona Azul e criou a nova Tarifa de Pós-Utilização não gerou apenas a revolta dos motoristas de Vitória da Conquista — ele também expôs um conflito crescente entre a Câmara Municipal e a Prefeitura.
Nos bastidores, vereadores afirmam que não foram consultados sobre as mudanças e que a medida pegou até aliados de surpresa. Na sessão de sexta-feira, o presidente da Câmara, Ivan Cordeiro, elevou o tom e cobrou publicamente que a gestão volte atrás. Ele disse que, se a Prefeitura insistir, o Legislativo pode se posicionar contra o decreto — um recado raro vindo de um presidente historicamente alinhado ao Executivo.
A fala foi seguida por outros vereadores, como Hermínio Oliveira, que destacaram problemas antigos do sistema, reforçando que o desgaste recai sobre a Câmara, que recebe a pressão direta dos usuários.
A situação lembra o episódio recente de Itabuna, onde a Câmara suspendeu a Zona Azul após falhas operacionais. Por aqui, muitos parlamentares temem que o desgaste acabe respingando neles em pleno ano pré-eleitoral.
Enquanto a Prefeitura segue em silêncio, o clima é de tensão. O decreto virou o estopim de uma disputa por protagonismo e por sobrevivência política — e a Zona Azul, que deveria organizar o trânsito, agora organiza um embate entre o Legislativo e o Executivo.