Editorial: Ex-cotados pelo PT agora reforçam a oposição na Bahia
Na política, há um ditado antigo: quem hoje é cortejado amanhã pode virar adversário. Na Bahia, o Partido dos Trabalhadores começa a sentir esse gosto amargo. Nomes que já circularam nos bastidores como possíveis aliados — e até como peças de composição na chapa do governador Jerônimo Rodrigues — hoje caminham cada vez mais à vontade no campo da oposição.
Não faz tanto tempo assim que figuras como Ângelo Coronel, Zé Ronaldo e Zé Cocá eram mencionadas em conversas políticas como nomes capazes de ampliar o alcance eleitoral do grupo governista. Eram opções lembradas para a vaga de vice ou para fortalecer alianças regionais.
Mas a política, como se sabe, é movida por interesses, espaços e sobrevivência eleitoral. Quando o espaço não aparece, a porta de saída costuma se abrir rapidamente. E foi exatamente isso que aconteceu.
Hoje, alguns desses mesmos personagens que chegaram a ser tratados como aliados potenciais já se acomodam no discurso oposicionista, muitas vezes com críticas duras ao próprio grupo que antes flertavam em integrar.
Para o PT baiano, que governa o estado há quase duas décadas, o episódio acende um sinal de alerta. Não basta administrar a máquina pública; é preciso administrar também expectativas políticas — algo bem mais difícil.
A verdade é que, na política da Bahia, ninguém fica muito tempo esperando convite para entrar na festa. Se a porta não abre, o político atravessa a rua e encontra outro salão.
E pelo visto, alguns já fizeram exatamente isso.