Nova marca da Embasa gera debate entre modernização institucional e velhos problemas no abastecimento
Enquanto milhões de baianos ainda convivem com falta d’água, interrupções no abastecimento e problemas históricos de saneamento, a Embasa decidiu celebrar os 55 anos da empresa com uma nova marca — mais colorida, moderna e cheia de referências à sustentabilidade.

O lançamento aconteceu em Salvador, com direito à presença do governador Jerônimo Rodrigues e discurso sobre inovação, diversidade e preservação ambiental. A nova identidade visual aposta na ideia do “ciclo da água” e tenta reposicionar a Embasa como uma empresa conectada ao futuro.
Mas fora dos eventos oficiais, a repercussão veio acompanhada de ironia e cobrança. Para muitos consumidores, antes de mudar logotipo, a empresa precisaria resolver problemas antigos que continuam chegando às torneiras — ou, em muitos casos, deixando de chegar.

A estratégia segue uma tendência de modernização institucional, mas escancara um velho dilema das estatais brasileiras: até que ponto a mudança de imagem convence quando a população ainda reclama do serviço?
A própria Embasa admite que a transição será lenta. As contas de água, por enquanto, continuam iguais. E para parte dos baianos, o que realmente importa não é a nova marca — mas quando o serviço também vai mudar.