Dor e perda de renda: trabalhador espera há 13 meses por cirurgia na Bahia
Há um ano e um mês, um trabalhador de Itapetinga espera por uma cirurgia ortopédica pelo SUS. Sem conseguir trabalhar normalmente, ele perdeu renda e hoje não sabe como manter o sustento da família.
O paciente afirma que já procurou o Ministério Público e a Defensoria Pública. Mesmo assim, continua sem previsão para o procedimento.
A cirurgia é considerada eletiva porque não se trata de uma emergência imediata. Mas eletiva não significa opcional. Para quem convive com dor, limitação física e perda de renda, 13 meses de espera já representam uma urgência social.
O caso também expõe a falta de transparência nas filas da saúde da Bahia. O estado mantém o Sistema Lista Única, mas não oferece ao cidadão um painel atualizado com o número de pacientes, a posição na fila e o tempo estimado para atendimento.
O governo costuma divulgar a quantidade de cirurgias realizadas. O dado, porém, não mostra quantas pessoas continuam esperando nem há quanto tempo. Também não se deve confundir a regulação hospitalar de urgência com a fila de cirurgias eletivas: são fluxos diferentes.
Desde esta segunda-feira, dia 31, nossa equipe cobra da Secretaria da Saúde da Bahia informações sobre o atendimento desse trabalhador. Também solicitamos dados completos das filas de consultas, exames e cirurgias, incluindo os procedimentos com maior demanda e o número de pacientes que esperam há mais de um ano.
Até o fechamento desta reportagem, a Sesab não respondeu sobre o paciente nem apresentou os dados solicitados.
Enquanto o governo não explica onde o atendimento travou, o trabalhador continua esperando. Para o sistema, a cirurgia é eletiva. Para ele e sua família, cada dia sem resposta significa mais dor, menos renda e nenhuma certeza sobre o futuro.