Impasse na saúde mental leva gestores ao Ministério Público em Vitória da Conquista
O aumento do número de pacientes em crise de saúde mental na UPA de Vitória da Conquista levou gestores da rede estadual a provocar o Ministério Público para discutir a organização desse atendimento.
Recentemente, a unidade chegou a concentrar dez pacientes que aguardavam avaliação especializada. O procedimento é necessário para definir quais casos precisam de internação e quais podem ser encaminhados para acompanhamento em outros pontos da rede.
A UPA deve acolher as urgências psiquiátricas, mas não possui estrutura para manter esses pacientes por períodos prolongados. Quando a avaliação demora ou não há retaguarda disponível, a unidade de emergência acaba funcionando como espaço de espera.

Em entrevista ao jornalista Daniel Silva, o diretor do Hospital Geral de Vitória da Conquista, Gerardo Júnior, e a diretora do Hospital Crescêncio Silveira, Lígia Matos, defenderam maior planejamento e integração entre os serviços.
Na avaliação dos gestores, parte da demanda que chega à UPA poderia ser acompanhada anteriormente pela atenção básica e pelos Centros de Atenção Psicossocial, os Caps. Uma rede territorial fortalecida pode identificar agravamentos, acompanhar os pacientes e evitar que situações controláveis se transformem em crises.

A questão, porém, não se limita ao Município. Vitória da Conquista dispõe de 28 leitos psiquiátricos na rede estadual, mas essas vagas atendem também pacientes de outras cidades do sudoeste. Cabe ao Estado garantir a regulação e avaliar se a estrutura regional é suficiente para a demanda existente.
O debate ganha urgência com o encerramento do contrato da Prefeitura com o Hospital Unimec, responsável por absorver parte desses atendimentos. Sem um fluxo substituto claramente definido, UPA, Hospital Geral e Crescêncio Silveira podem sofrer uma pressão ainda maior.
A reunião com o Ministério Público deverá discutir justamente a divisão de responsabilidades e a construção de um fluxo entre atenção básica, Caps, UPA, regulação e internação hospitalar.
O desafio não é apontar um único culpado, mas impedir que a falta de articulação entre Município e Estado deixe o paciente no lugar errado. Na saúde mental, a resposta depende de uma rede contínua: acolhimento no território, atendimento durante a crise, leitos para os casos indicados e acompanhamento depois da alta.