Mercado financeiro apostou na vitória de Flávio Bolsonaro e sofre perdas após reeleição de Lula
Bolsa registra queda de quase 14% e dólar dispara mais de 8% após resultado eleitoral; cenário aumenta pressão sobre política econômica do governo.
A reeleição do presidente Lula provocou uma forte reação no mercado financeiro brasileiro nesta segunda-feira (26). A Bolsa de Valores de São Paulo encerrou o primeiro pregão após as eleições com queda de 13,88%, enquanto o dólar subiu 8,21%, fechando em R$ 5,40.
Durante o dia, o Ibovespa chegou a despencar mais de 17%, levando a B3 a interromper temporariamente as negociações.
Parte dos investidores havia assumido posições na expectativa de uma vitória de Flávio Bolsonaro e de mudanças na condução da economia. Com o resultado favorável a Lula, essas apostas precisaram ser revistas, intensificando a venda de ações e a procura por dólares.
Mas a reação do mercado também envolve preocupações com o crescimento dos gastos públicos, a trajetória da dívida brasileira e as medidas econômicas previstas para o próximo mandato.
A forte desvalorização das ações, entretanto, não significa que as empresas tenham perdido, na mesma proporção, sua capacidade de produção ou geração de receitas.
O episódio também reacende o debate sobre a influência das expectativas políticas no comportamento do mercado financeiro e a precisão das projeções feitas por investidores.
Agora, as atenções se voltam para as primeiras decisões econômicas após a reeleição, especialmente a composição da equipe ministerial e as medidas de controle das despesas públicas.
O principal desafio do governo será recuperar a confiança dos investidores sem comprometer o crescimento econômico, a geração de empregos e a manutenção das políticas sociais.