Anvisa alertou estados sobre erros na vacinação contra dengue antes de investigação sobre casos graves
Meses antes da suspensão preventiva da vacinação com o imunizante contra a dengue desenvolvido pelo Instituto Butantan, órgãos de saúde já haviam alertado estados e municípios sobre possíveis erros na aplicação das vacinas contra a doença. A preocupação envolvia situações como aplicação fora da faixa etária recomendada, troca de imunizantes, erros no esquema de doses e falhas na administração do produto.
As orientações foram formalizadas em notas técnicas do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que destacavam a necessidade de vigilância sobre os chamados “erros de imunização”, considerados eventos evitáveis que podem comprometer a eficácia da vacinação ou aumentar o risco de reações adversas.
O tema voltou ao centro do debate após o Ministério da Saúde suspender temporariamente a aplicação da vacina do Butantan para investigar 42 ocorrências de reações adversas mais severas registradas entre aproximadamente 500 mil vacinados. Dois dos casos investigados evoluíram para óbito, embora ainda não exista comprovação de relação direta entre a vacina e as mortes.
As autoridades de saúde afirmam que a suspensão é uma medida preventiva e que a eficácia do imunizante não está sendo questionada. O objetivo é aprofundar as investigações para identificar se os casos têm relação com a vacina, com condições pré-existentes dos pacientes ou com possíveis falhas no processo de imunização.
Enquanto a apuração prossegue, a orientação é que as doses já distribuídas permaneçam armazenadas adequadamente até uma definição sobre a retomada da campanha.