Vitória da Conquista já não cabe dentro das próprias ruas
Vitória da Conquista cresceu. E cresceu rápido.
O problema é que as ruas não acompanharam esse ritmo.
Os números mostram a dimensão dessa mudança. A cidade tem quase 400 mil habitantes e uma frota superior a 174 mil veículos. Na prática, isso significa que existe um veículo para cada 2,28 moradores. Somente as motocicletas já representam quase 50 mil unidades.
Mas talvez a estatística mais importante seja outra: Vitória da Conquista deixou de ser apenas uma cidade. Ela se tornou o destino diário de milhares de pessoas vindas de dezenas de municípios do sudoeste baiano e do norte de Minas Gerais.
Todos os dias, trabalhadores, estudantes, pacientes, comerciantes e transportadores entram na cidade. Todos os dias, a demanda aumenta. Todos os dias, as ruas ficam menores.
E isso tem um preço.
O relógio marca o atraso para o trabalho. A ambulância leva mais tempo para chegar ao hospital. O motociclista se arrisca para ganhar alguns minutos. O motorista se irrita. O pedestre se sente inseguro. A cidade para.
Não é difícil perceber os sinais dessa transformação. Avenidas que, no passado, foram projetadas para uma realidade completamente diferente hoje enfrentam um fluxo intenso de veículos. Cruzamentos se transformaram em pontos de conflito. Corredores importantes se tornaram gargalos permanentes.
A cidade cresceu para todos os lados, mas a infraestrutura ficou para trás.
O resultado está diante dos olhos de todos: congestionamentos, acidentes, superlotação do sistema de saúde, aumento da poluição e perda da qualidade de vida.
E existe outro detalhe importante.
Vitória da Conquista ainda se enxerga como uma cidade de médio porte, quando, na verdade, já funciona como uma metrópole regional. O problema é que o planejamento continua sendo feito com base em uma realidade que já não existe.
Talvez seja justamente por isso que a pergunta mais importante não seja quantos acidentes aconteceram este ano.
A verdadeira pergunta é outra:
Quanto tempo Vitória da Conquista ainda conseguirá suportar esse ritmo?
Porque as ruas já deram a resposta. E ela ecoa diariamente no som das buzinas, das sirenes e da impaciência de quem percebe que a cidade cresceu, mas ficou presa no mesmo lugar.