Após defender novo hospital, Jerônimo não detalha como será o custeio da unidade
A disposição manifestada pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT) em apoiar a construção de um hospital municipal em Vitória da Conquista reacendeu um debate que vai além da obra: como será financiada a manutenção da futura unidade?
Durante entrevista, o governador afirmou que o Estado está disposto a discutir a construção do hospital e que buscará apoio do Governo Federal para viabilizar o projeto. No entanto, não detalhou se a gestão estadual participará do custeio permanente da unidade, etapa considerada a mais onerosa para qualquer hospital público.
O tema ganha relevância diante da realidade enfrentada pelo Hospital Municipal Esaú Matos, referência em obstetrícia e pediatria para Vitória da Conquista e dezenas de municípios da região. A unidade convive há anos com dificuldades financeiras, decorrentes do alto custo operacional e da demanda regional, levando a Prefeitura a buscar, em diferentes ocasiões, apoio dos governos estadual e federal para manter os serviços.
Especialistas em gestão pública destacam que a construção de um hospital representa apenas parte do investimento. O funcionamento diário exige recursos contínuos para pagamento de profissionais de saúde, aquisição de medicamentos, manutenção de equipamentos, exames, insumos e funcionamento ininterrupto dos serviços.
Nesse contexto, a discussão sobre um novo hospital municipal passa, necessariamente, pela definição de um modelo de financiamento sustentável. Sem a garantia de participação dos demais entes federativos no custeio, a responsabilidade tende a recair sobre o município, que já enfrenta desafios para manter sua atual rede de saúde.
Embora a sinalização do governador represente um avanço no debate sobre a ampliação da assistência hospitalar em Vitória da Conquista, ainda permanecem sem resposta questões consideradas centrais para a viabilidade do projeto, principalmente sobre quem financiará a operação da futura unidade após sua inauguração.